terça-feira, 22 de março de 2011

diário intermitente

Leio as notícias pela manhã, oiço a rádio, apercebo-me que o chefe do executivo desistiu de ir a uma cidade qualquer na China, para mais um corte de fita, ficando em Macau a controlar a situação, que situação?
Serei sobrevivente de uma catástrofe atómica sem saber?
Serei?
Ou estarei também condenada?
Este problema que tenho na tiroide será afectado pelas radiações que já contaminam o Pacífico?
E o arroz? Os cogumelos? O leite? A radioatividade que chega pelo ar?
Estarei a viver em antecipação o pesadelo retratado naquele mau filme denominado 2012? Eu e toda a gente deste paralelo geográfico?
Pairam muitas incertezas, aqui ao lado compra-se iodeto de potássio até esgotar o stock, alguns fazem fila no supermercado, há uma fobia no ar, uma fobia que se espalha de mansinho e começa a penetrar no mais íntimo de cada um -e se têm razão?- de que estou à espera para ir embora?
Pelo meio recebo a notícia de que morreu uma amiga que já não via há algum tempo, chamava-se Elsa Dias, era jornalista, uma mulher que enfrentou a doença durante largos anos.
Fica uma tristeza latente e associo as duas coisas: o cancro essa doença letal e o pavor com que as partículas vindas do japão impregnam a atmosfera.
Fico insegura.
O que será que amanhã me/nos reserva?

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