quarta-feira, 23 de março de 2011

extractos de um dia

Extractos de um dia...
Sim, conheci o Mário Botas e gostei muito do trabalho dele, lembro que na altura da SEMA chegamos a publicar os seus trabalhos na revista.
Ele tinha uma relação especial com o António Osório, advogado e poeta, que deves conhecer e dedicavam-se, mutuamente, obras literárias ou artisticas, incluindo a mesma espiral difusa de imagens torturadas e fantásticas (como dizes bem!), e nós expectadores atentos confirmávamos que emanava da imagem e/ou da escrita uma complementaridade assombrosa.

Velhos tempos em que a verdade da criatividade se sobrepunha ao peso constante da luta pelo pão de amanhã!!!
Em Portugal adivinha-se uma crise ainda pior do que a vigente...

La vrai vie est allieurs... e a lingua francesa tem vocábulos pertinentes para definir estados de espirito...

diário intermitente 2

Hoje o dia está mais calmo, atiro-me ao trabalho, organizo os projectos, desenho hipoteses, re-invento percursos...
Pelo meio tento organizar o site do atelier, um site que seja um "sítio" com coisas por dentro, um sítio habitado por ideias, espaços, conjecturas, desenhos, recordações e previsões, um síto que falando do meu trabalho fale também de mim e das marcas que ficam presas ao chão, às ruas, em fachadas de sombra e luz, alpendres, confluências, esplanadas, jardins e tantos outros sinais...
Um sítio que seja um cruzamento de informações e influências, trespassando continentes, com memórias confluindo no presente e projectando o futuro.
E toda a informação circulando em rede, numa "net" construida a partir de Macau, a aetecnet.
A sintese, sempre ela, irá ajudar-me na selecção que procuro, para que o fio que tece esta rede mantenha um rumo promissor...

terça-feira, 22 de março de 2011

diário intermitente

Leio as notícias pela manhã, oiço a rádio, apercebo-me que o chefe do executivo desistiu de ir a uma cidade qualquer na China, para mais um corte de fita, ficando em Macau a controlar a situação, que situação?
Serei sobrevivente de uma catástrofe atómica sem saber?
Serei?
Ou estarei também condenada?
Este problema que tenho na tiroide será afectado pelas radiações que já contaminam o Pacífico?
E o arroz? Os cogumelos? O leite? A radioatividade que chega pelo ar?
Estarei a viver em antecipação o pesadelo retratado naquele mau filme denominado 2012? Eu e toda a gente deste paralelo geográfico?
Pairam muitas incertezas, aqui ao lado compra-se iodeto de potássio até esgotar o stock, alguns fazem fila no supermercado, há uma fobia no ar, uma fobia que se espalha de mansinho e começa a penetrar no mais íntimo de cada um -e se têm razão?- de que estou à espera para ir embora?
Pelo meio recebo a notícia de que morreu uma amiga que já não via há algum tempo, chamava-se Elsa Dias, era jornalista, uma mulher que enfrentou a doença durante largos anos.
Fica uma tristeza latente e associo as duas coisas: o cancro essa doença letal e o pavor com que as partículas vindas do japão impregnam a atmosfera.
Fico insegura.
O que será que amanhã me/nos reserva?