Conheço um país...
Sabe bem ler o texto do Nicolau Santos numa altura em que só se fala da crise, da dívida soberana, dos mercados...
Faz bem perceber onde somos bons e que ainda damos provas da nossa criatividade, faz bem sentir o orgulho de sermos portugueses...
O mesmo orgulho que senti ontem, quando visitei uma exposição de postais antigos no Clube Militar, pertencente à colecção que o João Loureiro com toda a dedicação vai cultivando e ampliando, para que todos nós possamos desfrutar... e confirmar como há tantos anos a gente de um país tão pequeno se lançou ao mar e povoou tantos destinos...
Uma colecção com destaque para a cidade de Macau, nos anos 30, 40, 50 e 60, que se estende depois a Moçambique, Goa, Damão e Diu num percurso diverso e ambicioso que os nossos antepassados souberam percorrer.
Estamos nós agora noutras encruzilhadas, presos entre jogos financeiros e políticos, reféns de lutas pelo poder e de "mercados" que não dominamos.
Estamos nós agora aparentemente perdidos, numa selva em que os valores baixos dominam, domesticados na nossa condição de um pais pequeno no extremo de uma península em convulsão...
Dominados mas não acorrentados, nem escravizados, ao poder dos restantes membros de uma Europa des-unida, e a prova está aí, nestes portugueses que somos, recusando-nos a baixar os braços, usando a criatividade e o espírito de combate para descobrir novos caminhos.
É preciso continuar a ousar, afinal todos merecemos isso!
À lista do Nicolau Santos juntaria os dois prémios Pritzker de Arquitectura atribuidos a Siza Vieira e a Eduardo Souto Moura.
Eu conheço um País que se escreve com alma: Portugal.
Para esclarecimento junto o texto de Nicolau Santos publicado na revista up da TAP
É PRECISO LEVANTAR O MORAL ...
Vale a pena ler... neste momento que precisamos de esperança e de
orgulho pelo que é nosso, pelo que é português...
Eu conheço um país que em 30 anos passou de uma das piores taxas de
mortalidade infantil (80 por mil) para a quarta mais baixa taxa a
nível mundial (3 por mil). Que em oito anos construiu o segundo mais
importante registo europeu de dadores de medula óssea, indispensável
no combate às doenças leucémicas. Que é líder mundial no transplante
de fígado e está em segundo lugar no transplante de rins. Que é líder
mundial na aplicação de implantes imediatos e próteses dentárias fixas
para desdentados totais.
Eu conheço um país que tem uma empresa que desenvolveu um software
para eliminação do papel enquanto suporte do registo clínico nos
hospitais (Alert), outra que é uma das maiores empresas ibéricas na
informatização de farmácias (Glint) e outra que inventou o primeiro
antiepilético de raiz portuguesa (Bial).
Eu conheço um país que é líder mundial no sector da energia renovável
e o quarto maior produtor de energia eólica do mundo, que também está
a constuir o maior plano de barragens (dez) a nível europeu (EDP).
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o primeiro sistema
mundial de pagamentos pré-pagos para telemóveis (PT), que é líder
mundial em software de identificação (NDrive), que tem uma empresa que
corrige e detecta as falhas do sistema informático da Nasa (Critical)e
que tem a melhor incubadora de empresas do mundo (Instituto Pedro
Nunes da Universidade de Coimbra)
Eu conheço um país que calça cem milhões de pessoas em todo o mundo e
que produz o segundo calçado mais caro a nível planetário, logo a
seguir ao italiano. E que fabrica lençóis inovadores, com diferentes
odores e propriedades anti-germes, onde dormem, por exemplo, 30
milhões de americanos.
Eu conheço um país que é o «state of art» nos moldes de plástico e
líder mundial de tecnologia de transformadores de energia (Efacec) e
que revolucionou o conceito do papel higiénico(Renova).
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a
nível mundial e que desenvolveu um sistema inovador de pagar nas
portagens das auto-estradas (Via Verde).
Eu conheço um país que revolucionou o sector da distribuição, que
ganha prémios pela construção de centros comerciais noutros países
(Sonae Sierra) e que lidera destacadíssimo o sector do «hard-discount»
na Polónia (Jerónimo Martins).
Eu conheço um país que fabrica os fatos de banho que pulverizaram
recordes nos Jogos Olímpicos de Pequim, que vestiu dez das selecções
hípicas que estiveram nesses Jogos, que é o maior produtor mundial de
caiaques para desporto, que tem uma das melhores seleções de futebol
do mundo, o melhor treinador do planeta (José Mourinho) e um dos
melhores jogadores (Cristiano Ronaldo).
Eu conheço um país que tem um Prémio Nobel da Literatura (José
Saramago), uma das mais notáveis intérpretes de Mozart (Maria João
Pires) e vários pintores e escultores reconhecidos internacionalmente
(Paula Rego, Júlio Pomar, Maria Helena Vieira da Silva, João
Cutileiro).
O leitor, possivelmente, não reconhece neste país aquele em que vive
ou que se prepara para visitar.
Este país é Portugal. Tem tudo o que está escrito acima, mais um sol
maravilhoso, uma luz deslumbrante, praias fabulosas, ótima
gastronomia.
Bem-vindo a este país que não conhece: PORTUGAL.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
extractos de um dia
Extractos de um dia...
Sim, conheci o Mário Botas e gostei muito do trabalho dele, lembro que na altura da SEMA chegamos a publicar os seus trabalhos na revista.
Ele tinha uma relação especial com o António Osório, advogado e poeta, que deves conhecer e dedicavam-se, mutuamente, obras literárias ou artisticas, incluindo a mesma espiral difusa de imagens torturadas e fantásticas (como dizes bem!), e nós expectadores atentos confirmávamos que emanava da imagem e/ou da escrita uma complementaridade assombrosa.
Velhos tempos em que a verdade da criatividade se sobrepunha ao peso constante da luta pelo pão de amanhã!!!
Em Portugal adivinha-se uma crise ainda pior do que a vigente...
La vrai vie est allieurs... e a lingua francesa tem vocábulos pertinentes para definir estados de espirito...
Sim, conheci o Mário Botas e gostei muito do trabalho dele, lembro que na altura da SEMA chegamos a publicar os seus trabalhos na revista.
Ele tinha uma relação especial com o António Osório, advogado e poeta, que deves conhecer e dedicavam-se, mutuamente, obras literárias ou artisticas, incluindo a mesma espiral difusa de imagens torturadas e fantásticas (como dizes bem!), e nós expectadores atentos confirmávamos que emanava da imagem e/ou da escrita uma complementaridade assombrosa.
Velhos tempos em que a verdade da criatividade se sobrepunha ao peso constante da luta pelo pão de amanhã!!!
Em Portugal adivinha-se uma crise ainda pior do que a vigente...
La vrai vie est allieurs... e a lingua francesa tem vocábulos pertinentes para definir estados de espirito...
diário intermitente 2
Hoje o dia está mais calmo, atiro-me ao trabalho, organizo os projectos, desenho hipoteses, re-invento percursos...
Pelo meio tento organizar o site do atelier, um site que seja um "sítio" com coisas por dentro, um sítio habitado por ideias, espaços, conjecturas, desenhos, recordações e previsões, um síto que falando do meu trabalho fale também de mim e das marcas que ficam presas ao chão, às ruas, em fachadas de sombra e luz, alpendres, confluências, esplanadas, jardins e tantos outros sinais...
Um sítio que seja um cruzamento de informações e influências, trespassando continentes, com memórias confluindo no presente e projectando o futuro.
E toda a informação circulando em rede, numa "net" construida a partir de Macau, a aetecnet.
A sintese, sempre ela, irá ajudar-me na selecção que procuro, para que o fio que tece esta rede mantenha um rumo promissor...
Pelo meio tento organizar o site do atelier, um site que seja um "sítio" com coisas por dentro, um sítio habitado por ideias, espaços, conjecturas, desenhos, recordações e previsões, um síto que falando do meu trabalho fale também de mim e das marcas que ficam presas ao chão, às ruas, em fachadas de sombra e luz, alpendres, confluências, esplanadas, jardins e tantos outros sinais...
Um sítio que seja um cruzamento de informações e influências, trespassando continentes, com memórias confluindo no presente e projectando o futuro.
E toda a informação circulando em rede, numa "net" construida a partir de Macau, a aetecnet.
A sintese, sempre ela, irá ajudar-me na selecção que procuro, para que o fio que tece esta rede mantenha um rumo promissor...
terça-feira, 22 de março de 2011
diário intermitente
Leio as notícias pela manhã, oiço a rádio, apercebo-me que o chefe do executivo desistiu de ir a uma cidade qualquer na China, para mais um corte de fita, ficando em Macau a controlar a situação, que situação?
Serei sobrevivente de uma catástrofe atómica sem saber?
Serei?
Ou estarei também condenada?
Este problema que tenho na tiroide será afectado pelas radiações que já contaminam o Pacífico?
E o arroz? Os cogumelos? O leite? A radioatividade que chega pelo ar?
Estarei a viver em antecipação o pesadelo retratado naquele mau filme denominado 2012? Eu e toda a gente deste paralelo geográfico?
Pairam muitas incertezas, aqui ao lado compra-se iodeto de potássio até esgotar o stock, alguns fazem fila no supermercado, há uma fobia no ar, uma fobia que se espalha de mansinho e começa a penetrar no mais íntimo de cada um -e se têm razão?- de que estou à espera para ir embora?
Pelo meio recebo a notícia de que morreu uma amiga que já não via há algum tempo, chamava-se Elsa Dias, era jornalista, uma mulher que enfrentou a doença durante largos anos.
Fica uma tristeza latente e associo as duas coisas: o cancro essa doença letal e o pavor com que as partículas vindas do japão impregnam a atmosfera.
Fico insegura.
O que será que amanhã me/nos reserva?
Serei sobrevivente de uma catástrofe atómica sem saber?
Serei?
Ou estarei também condenada?
Este problema que tenho na tiroide será afectado pelas radiações que já contaminam o Pacífico?
E o arroz? Os cogumelos? O leite? A radioatividade que chega pelo ar?
Estarei a viver em antecipação o pesadelo retratado naquele mau filme denominado 2012? Eu e toda a gente deste paralelo geográfico?
Pairam muitas incertezas, aqui ao lado compra-se iodeto de potássio até esgotar o stock, alguns fazem fila no supermercado, há uma fobia no ar, uma fobia que se espalha de mansinho e começa a penetrar no mais íntimo de cada um -e se têm razão?- de que estou à espera para ir embora?
Pelo meio recebo a notícia de que morreu uma amiga que já não via há algum tempo, chamava-se Elsa Dias, era jornalista, uma mulher que enfrentou a doença durante largos anos.
Fica uma tristeza latente e associo as duas coisas: o cancro essa doença letal e o pavor com que as partículas vindas do japão impregnam a atmosfera.
Fico insegura.
O que será que amanhã me/nos reserva?
Subscrever:
Comentários (Atom)